Dicas para advogados iniciantes: como falar em audiência

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Os advogados iniciantes e o receio de realizar audiência

Cremos que os colegas advogados, sobretudo recém-formados e iniciantes dessa belíssima carreira advocatícia, ainda sentem um desconforto ao realizarem suas primeiras audiências. Sejam elas audiências conciliatórias ou mesmo de instrução e julgamento, bate “aquele frio na barriga” ao se adentrar na sala de audiência. Por isso mesmo fizemos esse vídeo, o qual voltado a passar algumas dicas para, ao menos, minimizar esse medo da audiência.

A regra é que esse temor venha do “berço”: a Universidade

O assunto do qual nos detemos nesse vídeo é quanto à origem desse temor de falar audiência, seja essa de instrução e julgamento ou, até mesmo, na audiência conciliatória. Obviamente que há o medo decorrente da timidez. Mas, esteja certo, o maior número de advogados ficam nessa situação por falta de preparo, não por ser uma pessoa tímida.

Para nós esse medo nasce na sala de aula, ou melhor, da ausência de sala de aula que propicie um ambiente similar àqueles destinados à realização de audiências nas lides forenses. É dizer, uma espécie de “laboratório” no qual o professor de prática forense tornasse a audiência cheia de “entraves processuais”, de situações atípicas, de adversidades etc. Enfim, de momentos criados propositadamente pelo professor de prática jurídica, de sorte a adaptar o futuro advogado aos reveses rotineiros das audiências.

Dica nº. 01: Conheça bem seu oponente

De toda conveniência, antes de tudo, lançarmos as lições colhidas do célebre livro “A arte da guerra”, de Sun Tzu:

O bom estrategista, para vencer uma batalha, faz antes muitos cálculos no seu templo, pois sabe que eles são a chave o conduzirá à vitória. É calculando e analisando que o estrategista vence previamente a guerra na simulação feita no templo. Portanto, fazer muitos cálculos conduz à vitória, e poucos, à derrota. Quando examino a questão dessa forma, o resultado da guerra torna-se evidente.”

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Pois bem, muitos colegas advogados iniciantes simplesmente vão à audiência sem nada (ou mesmo pouco) conhecer do processo. E, na verdade, “conhecer bem o adversário”, é um fator que reduz (e muito) o medo de audiência.

Aqui, não só a parte adversa pode ser entendida como oponente no processo. Na realidade, todos os aspectos processuais que decorrem do fluir da audiência são também “adversários”. No momento que o colega advogado recém-formado não tem em mente todas (dissemos “todas”), as projeções processuais de uma audiência, chamou para si uma grande responsabilidade. O temor irá pairar em sua mente, pois ele não sabe qual “o monstro que o aguardará” naqueles breves minutos.

Todavia, veja o inverso disso. Se o advogado vai para a batalha conhecendo seu adversário e, maiormente, o “campo” onde ocorrerá essa batalha (leia-se, audiência), esteja certo que esse medo será reduzido significativamente. Assim, cabe ao advogado fazer, digamos, uma simulação de possíveis imprevistos que poderão ocorrer na audiência. Por exemplo: se o advogado da parte adversa não vai à audiência de instrução e julgamento, farei “isso” com fundamento “nessa regra processual”; se o magistrado indeferir minha pergunta, farei “isso” com fundamento “nessa regra processual”; se for indeferido o pedido de prova, farei “isso” com fundamento “nessa regra processual”; se a testemunha foi suspeita, farei “isso” com fundamento “nessa regra processual”.

Conhecer bem o processo, ajuda bastante.

Se você tem conhecimento da contestação e da inicial, além de outros documentos imersos nos autos, facilitará substancialmente seu conduzir, mormente quanto à formulação de perguntas à parte contrária e/ou testemunhas.

Dica nº. 02: intervir, quando necessário, com o famoso “pela ordem”

Não é incomum o colega advogado iniciante enfrentar adversidades quanto às condutas de advogado, magistrado, testemunhas, intérpretes etc. São posturas que resvalam da diretriz fixada em lei, e precisam ser aprumadas, ser colocadas “em ordem”.

Se, por exemplo, o causídico da parte adversa resolve fazer perguntas em audiência diretamente ao seu constituinte, há grave erro processual. Caberá a você, como advogado, se assim não for feito pelo Magistrado, pedir a palavra “pela ordem” e repudiar a postura do seu colega. É dizer, utilizar-se da prerrogativa legal que lhe é dada pelo Estatuto da OAB (EOAB, art. 7º, incs. X e XI).Baixar petição grátis do Kit Direito de Família |PETIÇÕES ONLINE|

O que se observa, no entanto, justamente pelo receio de falar em audiência, é que os advogados deixam de tomar essas prudentes providências e, não raro, acabam trazendo sequelas graves à satisfação dos direitos do seu cliente em juízo.

Dica nº. 03: outras dicas para advogados iniciantes estão contempladas neste vídeo

Convido os colegas advogados, máxime os colegas recém-formados, a assistirem o inteiro teor desse vídeo que gravamos. Certamente será proveitoso, pois nele procuramos estampar inúmeras posturas a serem adotadas pelos advogados, as quais, seguramente, irão minimizar o receio de falar em audiência.

Espero que gostem !! Até o próximo vídeo.

Alberto Bezerra

Alberto Bezerra é professor de Prática Forense Penal, Civil e Trabalhista. Advogado atuante desde 1990. Também leciona a disciplina de Direito Bancário. Pós-graduado em Direito Empresarial pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(PUC/SP). Articulista, palestrante e autor de diversas obras na área do direito, incluindo Prática Forense Bancária, Teses de Defesa na Prática Forense Penal e A Teoria na Prática: Responsabilidade Civil.

6 comentários

  1. paulo roberto alves da silva disse:

    Achei ótimo o vídeo, pois como diz o autor, em suas modéstias palavras, minimiza e muito as dúvidas.

  2. DANÚBIA APARECIDA disse:

    BOM DIA,

    VÍDEO EXTREMAMENTE DIDÁTICO. PARABÉNS!!!
    GRATA,

    DANÚBIA GUERREIRO

  3. KATIA CRISTINA disse:

    Caro professor Alberto Bezerra,
    concluí recentemente o curso de Direito e hoje dei início ao processo para inscrição nos quadros da OAB.
    Ciente dos inúmeros desafios que ainda surgirão e de que nesta apaixonante profissão nunca podemos parar de estudar e de buscar aprimoramento, procurava na internet algumas orientações para advogados iniciantes. Eis que tive a imensa felicidade de encontrar suas brilhantes aulas repletas de ensinamentos valiosíssimos!
    Como iniciante, muitos questionamentos e até mesmo medo tentam dominar meus pensamentos, mas após assistir aos seus vídeos confesso que os sentimentos de alegria e de conforto tomaram o lugar das dúvidas e dos receios. Além de transmitir seu imenso saber jurídico, o senhor se preocupou em compartilhar suas experiências, o que realmente é muito importante para trazer confiança aos que estão começando a trilhar esse caminho.
    Não encontro palavras que possam expressar exatamente o quão sou grata por tamanha generosidade de sua parte! Que tamanho desprendimento seja convertido em bênçãos sem fim para cada dia de sua vida!
    Meu sincero agradecimento.
    Cordialmente,
    Katia Cristina.

  4. Obrigado por nos premiar com tanta sabedoria. Fiquei feliz de constatar que coloco em prática muitas de suas sugestões. Digo aos colegas q n tenham receio de usar suas anotações em audiência. Vergonha é ficar calado ante uma situação importante. Grande abraço Dr Alberto!

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